Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Quarta-feira, 24 de Março de 2004
MAIS COISAS

Domingo, Janeiro 18, 2004 (OS originais podem ser vistos em WWW.albardeiro.blogger.com.br)


Foi assim que Miguel Sousa Tavares escreveu na última crónica (16/01/04) no jornal Público, um parágrafo apenas: ¿George W. Bush jamais se fará perguntas dessas. Ele representa o que de pior tem a América profunda, que é o instinto de se fechar sobre si própria, os seus valores e crenças e acreditar que o mundo não vai além do seu pequeno mundo e nada mais deseja do que poder imitá-lo. Esse simplismo de análise - que pode ser uma virtude quando as questões são simples - torna-se perigoso quando se trata de coisas mais fundas e complexas. Não há só os bons e os maus - há também maus que podem ter algumas boas razões e bons que podem ter comportamentos maus. Isso está para além da capacidade de compreensão de George W. Bush: basta olhar para ele. E o que mais assusta é olhar para Bin Laden e perceber que ele é infinitamente mais inteligente que Bush.¿


Domingo, 18 de Janeiro de 2004, O Público publicava também um artigo de KEVIN PHILLIPS sobre: As Ligações Perigosas da Dinastia Bush ao Dinheiro do Médio Oriente, segue-se um pequeno excerto: ¿Já no distante ano de 1964, George H. W. Bush, candidato ao Senado dos Estados Unidos pelo Texas, era apontado pelo adversário democrata Ralph Yarborough como uma marioneta do xeque do Kuwait, para quem a companhia de Bush fazia prospecção "offshore" de petróleo. Nas quatro décadas desde então, os Bush tornaram-se o primeiro clã político dos EUA a misturar-se completamente com famílias reais do Médio Oriente e com o dinheiro do petróleo. Entender como é que estas relações invulgares influenciaram mesmo o "11 de Setembro" e distorceram depois a resposta dos EUA ao terrorismo islâmico exige que se pense na família Bush como uma dinastia.¿ Por mais que doa isto não é anti-americanismo é a verdade dos factos. Confesso que ao ler um artigo de José Arbex Jr.*, não resisto a publicar mais algumas palavras sobre as ideias dos homens do Império que nos controla.


O Pentágono anunciou ao longo do ano que findou um programa que permitirá ao governo controlar todos os dados electronicamente registados de 290 milhões de cidadãos americanos; apesar de tudo, cresce a resistência a Bush. Imagine-se um país cujo governo tivesse acesso a todos os dados electronicamente registados da sua vida privada: gastos com cartão de crédito, levantamentos de dinheiro em caixas multibanco, históricos da vida profissional e privada, compras em supermercados, livros requisitados em bibliotecas, sites visitados na Internet, números de telefone marcados, registos de portagens, fichas dos vídeos alugados. Agora vamos imaginar que, por meio de supercomputadores, tal governo pudesse cruzar todos os dados e classificá-los segundo "padrões de comportamento". E imaginemos ainda que, por qualquer razão, acabamos de ser enquadrados numa "categoria comportamental" considerada perigosa: eu, você, nós poderemos ser detidos por policias que nem sequer terão de informar os motivos, ou poderemos ser interrogados sem que se expliquem as razões, no melhor estilo de Franz Kafka. "O Olho que tudo vê". Não é ficção, mesmo que se tenha pensado em 1984, de George Orwell. O Departamento da Defesa dos Estados Unidos anunciou, no fim de 2002, um vasto programa estratégico, intitulado Conhecimento Total de Informações (TIA, Total Information Awareness), com o objectivo de permitir ao governo rastrear os movimentos dos 290 milhões de cidadãos estadunidenses, para "prevenir ataques terroristas". As informações electrónicas, fornecidas por corporações privadas, além dos registros públicos, serão armazenadas em gigantescos bancos de dados (para mais informações, consulte o site www.epic.org/privacy/profiling/tia/). Detalhe: 45 por cento dos executivos das grandes empresas admitiram já ter passado informações sobre os seus clientes ao governo; 41 por cento declararam-se dispostos a fazê-lo voluntariamente, mesmo sem uma ordem judicial, segundo uma pesquisa realizada pela revista especializada em segurança e endereçada aos executivos, CSO, publicada em 18 de dezembro de 2002 (www.csoonline.com/csoresearch/report49.html). O logotipo do programa diz tudo: o "olho que tudo vê", que aparece no Grande Selo dos Estados Unidos, joga um facho de luz sobre o globo terrestre. O lema do departamento é "Scientia est potentia" (conhecimento é poder). O Big Brother chega em grande estilo. Mas o pior vem agora: o projecto todo foi idealizado por ninguém menos que John Poindexter (já falámos da figura), assessor de segurança nacional do presidente Ronald Reagan em 1985-86, quando foi acusado de liderar a "operação Irão-Contras". Agentes secretos estadunidenses, sob a chefia directa do braço direito de Poindexter, coronel Oliver North (espécie de "Rambo da vida real"), vendiam mísseis a Teerão, de forma clandestina e ilegal, a história como se sabe é mais do que conhecida; os fundos eram destinados a financiar os "contras", guerrilheiros de direita que lutavam para depor o governo sandinista da Nicarágua. Em 1990, Poindexter foi condenado por cinco acusações, incluindo conspiração e mentir ao Congresso, mas acabou absolvido por um tribunal de apelações, pois os seus depoimentos haviam sido dados sob a garantia de imunidade. No governo Bush, Poindexter é director do Escritório para o Conhecimento de Informações (encarregado de implantar o TIA), que por sua vez faz parte da Agência para Pesquisa de Projectos Avançados da Defesa (Darpa, na sigla em inglês), responsável pela criação da Internet.Tudo, menos Poindexter Mesmo aqueles que aceitam, em tese, a ideia do programa não suportam a perspectiva de ter Poindexter na chefia. "Se temos que ter um Grande Irmão, John Poindexter é o último nome da lista que eu escolheria", disse o senador democrata Chuck Schumer. Outros políticos disseram estar dispostos a propor medidas destinadas a garantir o direito à privacidade dos cidadãos (estadunidenses, é claro). Os mais importantes jornais do país ¿ incluindo The New York Times e The Washington Post ¿ criticaram a indicação de Poindexter. Pete Aldridge, subsecretário do Pentágono para pesquisas tecnológicas, tentando acalmar os ânimos, alegou que Poindexter foi o idealizador do projecto, apresentado logo após o atentado de 11 de setembro de 2001, e que só permanecerá na sua chefia durante a fase de pesquisas e instalação. Que bom! Assim ficamos todos mais tranquilos. O anúncio do TIA não deve ser visto como uma iniciativa isolada, um "raio no céu estrelado". Ao contrário, ele é um resultado lógico de uma política de conjunto, articulada por George Bush júnior logo após a destruição das torres gémeas e baptizada como "guerra ao eixo do mal". A expressão política institucional de tal "guerra", o Decreto Patriótico, promulgado sob o impacto do atentado, atribuiu ao Poder Executivo poderes extraordinários de deter, seguir e investigar qualquer cidadão estadunidense, mesmo sem autorização judicial. Com o auxílio dos media, a Casa Branca alimenta a paranóia antiterrorista, criando situações inusitadas. Recentemente, a insuspeita Academia de Ciências dos Estados Unidos queixou-se de que o governo está a impossibilitar trabalhos de pesquisa, retirando do espectro sites da Internet que contêm informações científicas e estatísticas importantes. São censuradas até mesmo informações sobre relevo topográfico e meteorologia, prejudicando produtores rurais. Império ou República Apesar de tudo, embora a comunicação social faça entender o contrário, a resistência a Bush cresce. Dezenas de grupos de defesa das liberdades civis pressionam os congressistas para impedirem que o projecto TIA continue. Gradativamente, recompõem-se as organizações contrárias à globalização e aos planos imperiais da Casa Branca, desarticuladas sob o impacto do atentado. Nos dias 18 e 19 de janeiro, centenas de milhares de pessoas realizaram manifestações, em San Francisco, Nova York, Washington e outras cidades, contra a ocupação no Iraque. Significativamente, as manifestações foram organizadas como forma de comemorar o aniversário do pastor negro protestante Martin Luther King, um dos maiores líderes da luta contra o racismo (15/1/1929 - 4/4/1968), fazendo assim um vínculo directo entre as lutas actuais e aquelas que acabaram por impor a derrota do império no Vietname. No ano passado, recordam-se ainda, quarenta personalidades estadunidenses laureadas com o Prémio Nobel assinaram uma declaração contra a guerra no Iraque. "As consequências médicas, económicas, ambientais, espirituais, políticas e legais de um ataque preventivo dos Estados Unidos ao Iraque podem minar, e não proteger, a segurança dos americanos e a estabilidade do mundo", afirmava a declaração. No último Novembro, milhares de intelectuais, artistas, professores, trabalhadores e jovens ¿ incluindo nomes como Noam Chomsky, Oliver Stone, Jane Fonda, Susan Sarandon, David Harvey, Laurie Anderson, Gore Vidal, Danny Glover ¿ assinaram um forte manifesto contra o ataque ao Iraque, intitulado "Não em Nosso Nome". Devem também recordar-se que o actor Sean Penn fez publicar um anúncio de protesto, no Washington Post, e visitou na altura Bagdade. O Big Brother ainda não venceu. De facto, a batalha está no começo. Como muitos já previram e disseram, a guerra, nos Estados Unidos, será travada entre o império e a república. Os destinos do mundo dependem, em grande parte, de quem vencerá. Prometemos quando houver mais disponibilidade voltar a falar destas questões recorrentes. Agora é tempo de corrigir exames e acabar um trabalho para publicação que já devia estar terminado, na verdade... não digo quando! Nos próximos ¿POSTS¿ serão os amigos a deixar a sua marca. *José Arbex Jr. é jornalista.



publicado por albardeiro às 19:13
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