Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Quarta-feira, 24 de Março de 2004
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Domingo, Dezembro 14, 2003


(WWW.albardeiro.blogger.com.br) 


No dia em que o administrador e porta-voz americano anunciou em comício...perdão, em conferência de imprensa, de forma leonina e seca ¿ ¿apanhámo-lo¿ -, ele e aqueles que ele representa, ainda não perceberam que a questão não é bem essa. A questão... a verdadeira questão, que vai muito para além dessa exibição de pseudo justiça e legalidade, no fundo, esse panfleto para uso dos falcões junto dos media, diz respeito à afirmação da supremacia tecnomilitar ao serviço das corporações americanas e à necessidade do vale tudo para garantir o acesso, onde quer que eles estejam, aos recursos energéticos e às matérias-primas (já agora, a Guarda está cheia de urânio... peçam, que nós prometemos pensar no assunto! Na verdade, apenas um conselho: não se atrevam porque nós iríamos, ressuscitar o José do Telhado, o Remexido, o João Brandão, juntamente com alguns que por aí andam... o Paulo das Feiras..., o complexo industrial-militar das mocas de Rio Maior está pronto). Deixemo-nos de meias verdades, o problema, com mais ou menos captura não se altera, continua a ser essencialmente militar, e em sinal de admiração por alguns pensadores, como Noam Chomsky, Normam Mailer, Susan Sontag, George Steiner, Gore Vidal, etc. ocorre-nos apresentar mais um escrito de natureza ¿chomsky(ano)¿, ou será ¿chomsquista¿, ou... ! Uma coisa é certa, isto é, confirma-se: Nasce um pária internacional ! Se há alguma coisa óbvia na história da guerra, é que pouca coisa pode ser prevista. No Iraque, a força militar mais espantosa da história humana atacou um país muito mais fraco, uma disparidade de forças enorme. Demorará algum tempo até que as consequências disso possam ser avaliadas, ainda que de forma preliminar. Todos os esforços precisam ser dedicados a minimizar os danos, e a fornecer ao povo iraquiano os imensos recursos que lhe serão necessários para reconstruir a sua sociedade, depois de Saddam, à maneira que preferirem, e não como lhes ditarem governantes estrangeiros. Não existe motivo para duvidar da opinião quase universal de que a guerra no Iraque só fará aumentar a ameaça de terror, o desenvolvimento e o uso de armas de destruição em massa, por motivos de vingança ou dissuasão. No Iraque, o governo Bush está tentando realizar uma "ambição imperial", ou seja, em termos claros, assustando o mundo inteiro e fazendo dos Estados Unidos um pária internacional. A intenção declarada da atual. política americana é afirmar um poderio militar que seja supremo no mundo, para além de qualquer desafio. As guerras preventivas norte-americanas poderão ser combatidas da maneira que se quiser, guerras preventivas, e não de preempção. Quaisquer que possam ser as justificativas que existam para uma guerra de preempção, elas não se sustentam no caso das guerras preventivas, uma categoria muito diferente: o uso da força para eliminar uma ameaça forjada. Essa política abre caminho a uma disputa prolongada entre os Estados Unidos e os seus inimigos, alguns dos quais criados pela violência e pela agressão, e não só no Médio Oriente. Quanto a isso, o ataque norte-americano ao Iraque foi uma resposta às preces de Bin Laden. Para o mundo, o que esteve em jogo na guerra e no período que se seguiu tem importância quase suprema. Para seleccionar apenas uma das muitas possibilidades, a desestabilização no Paquistão pode levar à entrega de "armas nucleares perdidas" a uma rede mundial de grupos terroristas, talvez revigorada pela ocupação militar do Iraque. Outras possibilidades, não menos sombrias, são fáceis de imaginar. Mas a perspectiva de um desfecho mais benigno continua a existir, a começar pelo apoio mundial às vítimas da guerra, da brutal tirania e das mortíferas sanções contra o Iraque. Um sinal promissor é que a oposição à invasão, tanto antes quanto depois de consumada, foi inteiramente sem precedentes. Em contraste, 41 anos atrás, quando o governo Kennedy anunciava que pilotos norte-americanos estavam a bombardear e a metralhar alvos no Vietname, quase não houve protestos. E eles não chegaram a atingir um nível significativo ainda por alguns anos. Presentemente, ainda existem sinais e alguns movimentos de protesto contra a guerra em larga escala, dedicado e baseado em princípios, nos Estados Unidos e em todo o mundo. Embora com muitos solavancos e uma agressiva campanha levada a cabo por parte dos falcões e apaniguados do complexo industrial-militar, em todos os media, o movimento pela paz agiu vigorosamente antes mesmo que a nova guerra do Iraque tivesse começado. Isso reflecte o progresso constante, nos últimos anos, da intolerância à agressão e às atrocidades, uma das muitas mudanças que afectaram todo o mundo. Os movimentos activistas dos últimos 40 anos exerceram efeito civilizacional. Agora, a única maneira de os Estados Unidos atacarem um inimigo muito mais fraco é montar uma imensa ofensiva de propaganda retractando-o como a encarnação do mal, ou até mesmo como ameaça à nossa sobrevivência. Esse foi o cenário que Washington defendeu com relação ao Iraque. Mesmo assim, os activistas pela paz estão em posição muito melhor agora para impedir um novo recurso à violência, e isso é uma questão de extraordinária importância. Uma grande parte da oposição à guerra de Bush baseia-se no reconhecimento de que o Iraque foi apenas um caso especial da "ambição imperial" declarada vigorosamente na Estratégia de Segurança Nacional apresentada o ano passado. Para que tenhamos alguma perspectiva, na nossa situação actual., pode ser útil que relembremos episódios da história recente. Em Outubro de 2002 a natureza das ameaças à paz foi dramaticamente sublinhada numa conferência de cúpula realizada em Havana no 40º aniversário da crise dos mísseis de Cuba, à qual compareceram participantes-chave de Cuba, da Rússia e dos EUA. O facto de que tenhamos sobrevivido à crise foi um milagre. Aprendemos que o mundo foi salvo da devastação nuclear por um capitão de submarino russo, Vasili Arkhipov, que cancelou a ordem de disparar mísseis nucleares, quando submarinos russos foram atacados por destróieres americanos perto da linha de "quarentena" imposta por Kennedy. Se Arkhipov tivesse concordado com o disparo, o lançamento nuclear decerto teria criado uma troca de ataques que poderia "destruir o hemisfério Norte", como advertira Eisenhower. A assustadora revelação veio num momento particularmente adequado, dadas as circunstâncias: a raiz da crise dos mísseis era o terrorismo internacional para promover uma "mudança de regime", dois conceitos que estão nos pensamentos de todos hoje em dia. Os ataques terroristas norte-americanos contra Cuba começaram pouco depois que Castro assumiu o poder, e foram vigorosamente reforçados por Kennedy, até ao momento da crise dos mísseis e depois. Os novos estudos demonstram com brilhante clareza os riscos terríveis e imprevistos de ataques contra um "inimigo muito mais fraco", com o objectivo de promover uma "mudança de regime" riscos que podem em breve condenar-nos a todos, não é exagero dizer. Caminhos perigosos Os EUA estão desbravando novos e perigosos caminhos, diante de oposição mundial quase unânime. Há duas maneiras para que Washington responda a ameaças que são, em parte, engendradas pelas suas acções e proclamações surpreendentes. Uma delas é tentar aliviar as ameaças por meio de alguma atenção a queixas legítimas, e algum respeito à ordem mundial e suas instituições. A outra seria construir ainda mais espantosos aparelhos de destruição e domínio, de modo que qualquer desafio que se perceba, por mais remoto que pareça, possa ser esmagado gerando novos e ainda maiores desafios.



publicado por albardeiro às 19:23
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