Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Quarta-feira, 24 de Março de 2004
(...) Coisas!

Sábado, Dezembro 20, 2003


Como já tinha alertado, noutra altura, sobre a possibilidade dos amigos ajudarem a "construir" este "BLOG", neste momento, dou a conhecer o excelente artigo do meu amigo Hugo Fernandez, publicado no Diário do Alentejo, sobre os "filhos da cunha" ou seja, a aleivosia dos nossos governantes que juram sempre pela sua HONRA. O melhor é lerem:


O FACTOR C


Se há convicção generalizada, é a de que o poder corrompe. E, como disse Lord Acton, ¿o poder absoluto corrompe absolutamente¿. Apesar de tudo, pensamos que se trata de um raciocínio precipitado. Há muitas autoridades, dirigentes ou simples cidadãos que se dedicam, com esforço e abnegação, à causa pública. Aliás, a facilidade com que se condena a totalidade da ¿classe política¿ e se denigre a própria acção política é uma atitude que, para além de ser arbitrária e injusta, é manifestamente perigosa. Quantas tiranias se instalaram ao longo da História, a coberto de ideias ¿messiânicas¿ e de projectos falsamente ¿regeneradores¿. No entanto, também não podemos negar que são cada vez mais frequentes os fenómenos de corrupção ¿ na pior das hipóteses ¿ e de compadrio ¿ na melhor das hipóteses. É o célebre ¿factor C¿ (de cunha) a funcionar. Quando este ocorre, toda a filosofia meritocrática que supostamente norteia a nossa vida colectiva ¿ proclamada sem cessar pela ideologia dominante ¿ se desmorona, deixando a descoberto a verdadeira natureza da sociedade em que vivemos. Ficam patentes as desigualdades de condição e de oportunidades, remetendo para o domínio dos ¿contos de encantar¿ o mito do self made man ou, dito de outro modo, do miserável que se torna milionário. Está bem de ver que o compadrio só tem sentido no seio da desigualdade. Quanto mais extremada esta for, maiores as possibilidades de actuação do ¿factor C¿. Sendo o poder, cada vez mais, uma relação de soma zero, em que o aumento da influência de uns poucos corresponde ao total despojamento de força de todos os outros, também é natural que quanto mais poder tenham determinadas pessoas, maior apetência e competência adquiram para o efeito. Em última instância, é ao nível governamental que as coisas mais graves se podem passar. Aqui, no centro das decisões, impera um sem-número de tentações, a que só a verticalidade de carácter e a honestidade de propósitos podem obviar. Por isso, a par da competência, a probidade é a principal exigência que é feita aos mais altos magistrados da Nação. Daí decorre a confiança que os cidadãos neles depositam quando, pelo voto, os escolhem. Por isso também, a quebra desta confiança assume uma enorme gravidade. Antes de mais do ponto de vista político. A censura às atitudes reprováveis e ao abuso de poder merecerá, necessariamente, a perda de confiança e a não reeleição. Mas a descoberta do compadrio, deve também obrigar à assunção de responsabilidades civis e, eventualmente criminais, sob pena de total descredibilização de todo o sistema. Porque, quando se cometem manifestas ilegalidades, tem que haver sanções. Tal é, de resto, o que se passa com todos os outros cidadãos. Ainda para mais, quando estas ilegalidades são cometidas invocando o cumprimento escrupuloso da lei. Nestas circunstâncias, a mentira é ainda mais intolerável. A justeza de actos e intenções impõe-se por si própria. Não precisa de ser justificada, nem proclamada em voz alta. Quando se pretenda, por esta via, dissimular o cinismo e a hipocrisia, não se iludam. Sejam governantes ou poderosos, tratam-se, afinal, de vulgares canalhas.



publicado por albardeiro às 19:30
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