Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Terça-feira, 27 de Abril de 2004
Post de um amigo

O albardeiro recebeu este texto... depois, noutra oportunidade, revelamos o seu autor. Isto resulta de um desafio que eu lhe tinha lançado... e como já sabemos que o “não” é um vocábulo absoluto, sempre objectivo e peremptório, que exclui maiores interpretações. Ao contrário, o “sim” é uma abertura para o manejo de uma ideia... para a prática de uma colaboração. Publique-se!


O meu 25 de Abril


Escrevo a uma hora tardia da noite de 25 de Abril de 2004, dia das comemorações dos trinta anos da Revolução. Decidi, este ano, comemorar o dia na solidão. Fiquei em casa, vi os jornais da televisão, saí apenas para comprar os jornais. Comprei muitos e li muito. Penso agora que a solidão de hoje é o estado que melhor se ajusta ao meu dia 25 de Abril de há trinta anos atrás. Era a distância que não me permitia viver os acontecimentos. E nisso não era eu diferente de milhões de portugueses. Não podíamos estar com a tropa no Largo do Carmo, na Praça do Comércio...mas sabíamos que aquilo era para nós também. Não chegámos pouco depois, aclamados por multidões numa estação ferroviária qualquer. Do que se passou, efectivamente, tive sempre, pois, uma curiosidade enorme. Aproveitei a solidão de hoje para saber mais. Sobre a reacção aos ‘revoltosos’, sobre a organização da revolta – interessa-me o lado humano das questões: afinal, para além do que cada um podia representar, um homem (os homens) reagia(m) e organizava(m)-se contra outro homem (outros homens). Folheei longamente os cartazes da edição do Diário de Notícias, comprada na véspera. Fazia falta na minha biblioteca. Mas não vou arrumá-la lá. Vai ficar durante muito tempo aqui na sala em cima da mesa para voltar a ela, amanhã, daqui a um ano, e para servir a um olhar curioso que por aqui passar. Rendo assim silenciosa homenagem aos corajosos que fizeram o 25 de Abril – anónimo nas intenções daqueles que o fizeram, anónimo na gratidão prestada.


Tem este 25 de Abril uma força enorme, e que tenho constatado à medida que anos vão passando: sempre que pensamos nele dizemos que falta ainda fazer alguma coisa. O 25 de Abril está cumprido. Estou de acordo. Mas é maior do que nós esta força que nos vem não sei donde. É logo uma reflexão sobre o que não vai bem. Da educação ao desporto, das nossas vidas às vidas que poderíamos ter...O 25 de Abril continua a mexer connosco e com o país. E isto ultrapassa os ‘corajosos’ que o fizeram, os programas partidários e as interpretações que acabei de ler. Foi assim durante estes trinta anos. Será assim por mais alguns... se não estou enganado.


Ofereço-te, meu caro amigo, estas linhas do meu diário. Tu conheces-me, jamais publicaria fosse o que fosse de forma anónima. Mas já compreendeste que estas linhas teriam que ficar anónimas. Pelo que fica exposto acima. Numa outra altura poderás revelar quem sou. Numa altura em que as linhas escritas sejam sobre este Ensino Superior que teima em não se reformar, para bem daqueles que o utilizam, daqueles que nele trabalham e do saber de que o país precisa. Serão linhas de revolta contra o compadrio, a subordinação, a falta de transparência e o ‘salve-se quem puder’. Um de nós tem que ‘marcar passo’, quando outro, recém-chegado, sobe como o balão. E depois falam em competência... Até breve.


Os textos sobre o "Alentejo: geografia e história", estão no "prelo" bloguista. Qualquer dia vai...



publicado por albardeiro às 16:56
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1 comentário:
De Plancie Herica a 27 de Abril de 2004 às 23:21
Cá fico à espera...

Um abraço,
francisco nunes


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