Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Segunda-feira, 10 de Maio de 2004
... coisas da nossa educação!

Sem grandes comentários, porque a época... ainda é de contenção (será!), publicamos mais um texto do Hugo Fernandez, sobre uma "batata"... e ainda por cima a apodrecer! Como sempre, o ALBARDEIRO agradece... como diz o refrão nacional "nunca vi nada assim!!!" Claro que já vimos... é endémico.


FALTA DE EDUCAÇÃO


Aconselha a mais elementar decência que se reconheçam os erros cometidos e obriga um mínimo de educação que, no caso desses erros prejudicarem terceiros, se peça desculpa aos afectados. Este simples código de conduta individual devia, com acrescida razão, nortear a vida pública. Quando se ocupam cargos políticos e se têm responsabilidades governativas, não só estes procedimentos deviam ser implícitos como se impõe sempre retirar todas as ilações decorrentes dessas responsabilidades, que podem culminar, naturalmente, na demissão dos agentes envolvidos. À honestidade individual somar-se-ia, assim, a necessária dignificação do serviço público.


De facto, a administração da coisa pública, implica, para além de uma constante lisura e transparência de procedimentos, um permanente despojamento pessoal e disponibilidade dos dirigentes para a renúncia aos cargos, se para tal não forem aptos. Senão, estaremos apenas no domínio dos “tachos” destinados a alimentar as ambições desmedidas de uns quantos boys.


Ora, pelo que se viu nos últimos dias, parece que estes princípios básicos de bom senso e urbanidade não são apanágio da actual equipa dirigente do Ministério da Educação. A dimensão e gravidade dos erros cometidos – que, aliás, nunca antes tinham atingido estas proporções – quando da publicação das listas ordenadas do concurso de professores para 2004-2005, afectou dezenas de milhares de profissionais e trouxe a angústia às suas famílias e a instabilidade às escolas. Forçados a admitir os erros, tal a extensão do “caos”, os responsáveis do Ministério ensaiam uma “fuga para a frente”: nem a assunção clara das responsabilidades, nem as necessárias consequências políticas, nem um simples pedido de desculpas aos milhares de afectados. Nada.


Recorde-se que ainda em Fevereiro, imediatamente antes do concurso ser lançado, o secretário de Estado da Administração Educativa, Abílio Morgado, propagandeou, em conferência de imprensa, o novo sistema informático – orçado em 600 mil euros – alegando que era praticamente à prova de erro. Estamos assim perante um comportamento de total impunidade e falta de vergonha, própria de títeres de um qualquer país do terceiro mundo. E isto só pode significar duas coisas: ou o apego obstinado ao poder obnubila os deveres da consciência, ou o desprezo pelos professores é tal que, aos olhos da tutela, não se justifica qualquer sinal de penitência, confirmando a alegação de João Paulo Guerra de que “O negócio deste Governo é números. Se os números têm ou não pessoas lá dentro é indiferente.” (Diário Económico, 6/5/04). Nenhuma das alternativas deixa de ser, evidentemente, condenável.


Até porque este tipo de enganos é recorrente. Com efeito, desde que a actual equipa ministerial tomou posse, todos – sublinhamos todos – os concursos ou publicações de resultados têm sido feitos com atrasos. O tratamento informático da informação ou o acesso on-line à mesma, falha constantemente, quando não é, de todo, inviável. Repetidas vezes são alteradas as regras, já com concursos iniciados. As colocações irregulares de professores são inúmeras. Os erros sucedem-se e não são corrigidos. Se isto acontece com o que deviam ser meros procedimentos administrativos de rotina, o que será de esperar da resolução das ciclópicas e complexas questões da educação.


E, perante isto, o que proclamam estes responsáveis? Arvoram-se em expoentes máximos de sabedoria e competência, arrasando tudo o que estava feito, como se os anteriores dirigentes do Ministério fossem acéfalos e incapazes. Desqualificam as críticas e menosprezam os críticos. Denigrem sindicatos e profissionais. Processam os que denunciam irregularidades. Como corolário de tão desastrosa actuação, manifestam profunda arrogância e absoluto autismo. Como exemplo de uma péssima lição de cidadania e de (má) educação, não está mal! Especialmente quando se trata dos mais altos responsáveis por este sector. Como escreveu o professor José Paulo Serralheiro, “A educação é um bem precioso. É demasiado importante para ser entregue a incapazes.” (Público 8/5/04). De governantes assim, decididamente, não precisamos.



publicado por albardeiro às 16:01
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1 comentário:
De Plancie Herica a 11 de Maio de 2004 às 00:27
Subscrevo integralmente.
Um abraço,
francisco nunes


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