Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004
DECLARAÇÃO AO BAIRRO E À NAÇÃO

PARA A PRÓXIMA... o candidato sou eu!


Votem em mim. Eu não sou um qualquer candidato, vocês sabem, sou um candidato completo e categórico. Votem, vamos, deixem o sonho levar-vos e façam a escolha certa. É inteiramente grátis, é só votarem e relaxarem. Vá lá, digam para vocês próprios: nós merecemos este candidato. E votem com amor. Votem numa boa. Votem com tudo. Votem no melhor. Votem naquele que sabe. Votem naquele que faz. Votem naquele que dá alegria. Sim, porque os bons tempos vão regressar e o futuro é aqui. Votem, eu sou a protecção que vocês precisam, na medida exacta. Votem em mim (adoro falar assim!) e sintam-se secas protegidas e seguras. Palavra, acreditem, nunca foi tão bom votar. Por isso, revelem as estrelas que existem em vocês: votem em mim!


Não? Vocês não vão votar em mim? Nem em ninguém? Mas porquê essa descrença? Isso assim não irá resolver nada. Escutem-me, por favor. Vocês ainda não estão a par, mas a descrença é o grande mal da humanidade. Existem coisas que vocês ainda não sabem, mas acho que chegou a hora da grande revelação. Olhem, vocês devem, sim, votar em mim, porque eu sou o vosso candidato e só através de mim se chegará à autentica democracia. Há ainda mais coisas que eu ainda não vos mostrei. Não vos mostrei, por exemplo, que sem a democracia as trevas e o “mal” tomarão conta de tudo e o mal irá reinar por mil anos. É a verdade, palavra de candidato. E aqueles que não acreditarem na verdade carregarão para sempre o arrependimento. Vocês irão fazer uma escolha importante, a mais importante de todas. De um lado, os ímpios, os infiéis... Do outro, nós, os que votarem em mim. Porque, votando em mim, o vosso dinheiro surgirá... tipo “maná”. Por exemplo, as vossas dores desaparecerão. O vosso IRS diminuirá e outros “acessórios” do género. Os vossos filhos deixarão de se depravar e a velhice e afins dos vossos pais desaparecerá. Votem em mim porque, se existem problemas, eu serei o caminho certo e o curativo.


Nem assim? Mas por quê? O que é que eu preciso de fazer para vocês votarem em mim, criaturas? Não, calma, não nos vamos precipitar. Eu tenho uma ideia (aviso que tenho mais!). Escutem-me, escutem-me. E, se eu vos pedir com jeitinho, vocês votam? Hein? Hum? O que passou, passou, O.K.? Vamos combinar assim, de agora em diante, vocês votam em mim e eu reciclarei (é politicamente correcto) em “apetitoso” tudo o que vocês pedirem, tudo o que vocês quiserem. E eu sei o que é que vocês querem. Sei que vocês só pensaram em não votar em mim porque não imaginavam que eu sou eternamente deslumbrante, incontestavelmente apaixonante, indiscutivelmente meloso e suave, indecepcionavelmente inolvidável. Alguma vez nas vossas vidas eleitorais vocês já votaram em alguém assim, especialmente só para vocês? Confessem, vá lá! Confessem que vocês já estão doidinhos para votarem em mim. Então?, venham logo, venham! Já imaginaram? Vocês votando em mim, só em mim, e eu realizando todas as vossas fantasias, honrando tudo o que vocês mandarem, assim, agora, sem tirar nem pôr!


Mas como é que é? Não vão mesmo votar em mim? Não há hipótese? A vossa decisão está tomada e o assunto encerrado? Pois olhem, acho melhor vocês pensarem bem no que vão fazer. Depois pode ser tarde demais. Vocês tem família, não têm? Mulher, sogra, filhos. Eu sei. Eu sei onde vocês moram. Eu sei que os vossos filhos estão a frequentar aquela escola... que devia estar mais perto de casa. Vocês não gostariam que acontecesse alguma coisa..., gostariam? Claro que não. Nem eu. E, vocês votando em mim, eu irei cuidar da segurança do bairro. Pessoalmente... sim pessoalmente. O que é que julgam que eu sou? Vocês querem acabar com a violência, não querem? Então, votem em mim e vocês vão estar seguros. Eu garanto-vos. Mas, se eu não for eleito, aí, aí... não me responsabilizo. Pode acontecer de tudo aqui. E vai acontecer de tudo aqui. Mas vocês não querem que aconteça de tudo aqui, querem? Não, não querem. Eu sei. Por isso vão votar em mim, não vão? E ajudar-me-ão, claro que sim, não é? Vão até arranjar mais votos para mim. Nas vossas famílias, nos vossos locais de trabalho, na vizinhança. Parece que já estou a ver, vocês e os vossos filhos a fazerem campanha. Palavra, eu começo a ficar até emocionado só de imaginar tal situação. Porreiro, assim é que se fala. Obrigado pelo vosso voto. Eu não os irei decepcionar. Dou-vos a minha palavra. Palavra de candidato!


Por agora tenho dito... até Beja!



publicado por albardeiro às 14:00
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2 comentários:
De Plancie Herica a 4 de Novembro de 2004 às 19:15
Onde é que já terei ouvido isso?...
Um abraço,
Francisco Nunes


De Caos a 3 de Novembro de 2004 às 20:49
Meu caro candidato o meu voto, o meu apoio, a minha voz não tem outro destino que não seja a sua candidatura. Veja lá se arranja um servicinho para mim... Excelente posta.


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