Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Sábado, 29 de Maio de 2004
Textos dos amigos

Ainda não é hoje que escrevo sobre o Alentejo... mas o prometido será devido... brevemente. Aliás, para escrever sobre o Alentejo, como Jaime Cortesão o fez na obra, Portugal, a terra e as gentes, nos finais dos anos cinquenta do século passado, tentei fazer o mesmo percurso esta semana que passou, felizmente com muito agrado. As minhas leituras blogueiras (também as escritas) estão atrasadas... as minhas desculpas para aqueles que normalmente “visito”. No entanto, o meu amigo Hugo enviou-me mais um texto, que eu tenho prazer de publicar e simultaneamente agradecer. Parece-me uma boa síntese sobre o que aqui neste “blog” se tem dito/escrito sobre aqueles “arruaceiros” que tomaram conta dos EUA e, de certa forma (qual peste mais peçonhenta), alguns delegados ideológicos tentaram fazer crer por esse mundo fora (neste rectângulo nas “costas da Ibéria infelizmente ainda subsistem impunes) que só havia uma via... a sua malfadada “verdade”! Recomendo a leitura do texto do Hugo Fernandez.


PORQUÊ SEGUI-LOS?


A actual administração norte-americana conseguiu coisas notáveis. Conseguiu basear a sua política externa na confrontação permanente – a célebre “guerra preventiva” – e na procura belicista da supremacia absoluta, doutrina amplamente explanada no documento The National Security Strategy of the United States, de 2002. Conseguiu fomentar a proliferação do armamento mais sofisticado e mortífero – fala-se, mesmo, da utilização “limitada” do nuclear – e promover a paranóia securitária, em termos de pura demência. Conseguiu ocupar militarmente países e apoderar-se das suas riquezas. Conseguiu a disseminação do ódio e da vingança a níveis nunca antes imaginados. Conseguiu estender o terrorismo aos quatro cantos do mundo – de Casablanca a Istambul, de Bali a Mombaça, de Riad a Madrid. Conseguiu pôr em causa todos os ténues resquícios de legalidade internacional, remetendo a ONU para um papel desprezível. Conseguiu não assinar um único – sublinhamos, um único – acordo que permita a coexistência pacífica ou a sustentabilidade da nossa vida no planeta. Conseguiu fazer da democracia uma caricatura e da liberdade uma mera ilusão. Conseguiu espezinhar os mais elementares direitos humanos, prendendo, torturando e matando. Conseguiu disseminar a desgraça e a injustiça. Conseguiu que o mundo fosse pior, mais devastado, mais caótico, mais inseguro.


Esta estratégia suicidária torna as declarações do secretário de estado da Defesa, Donald Rumsfeld, quando em Maio visitou Bagdad e a tristemente célebre prisão de Abu Ghraib, ainda mais espantosas. Segundo este responsável político do governo Bush, os E.U.A constituiriam “o último recurso da humanidade”. Perante a realidade, tais declarações são mais que incompreensíveis; são verdadeiramente perigosas. Porque, se cada homem e cada povo têm uma tendência natural para se posicionarem espacial e culturalmente como o omphallus, o umbigo do mundo, o centro do universo, tal centralidade tem que ser matizada pela existência do outro e do necessariamente diferente.


O que assusta no pensamento extremista dos neoconservadores americanos é que nada disto importa. A sua obstinação é total. Só não vê quem não quer ver. Por isso, Sousa Franco é peremptório: “O Presidente Bush é uma catástrofe que aconteceu aos E.U.A e ao mundo.”


De facto, alegar-se-á que, apesar de tudo, os E.U.A são uma democracia. Sê-lo-ão, mas gravemente debilitada. As atrocidades cometidas nas prisões do Afeganistão e do Iraque aí estão para o demonstrar. Com a agravante que se trataram – como agora se sabe - de práticas generalizadas e mesmo encorajadas pelas chefias militares e pelos serviços secretos americanos. É verdade que estas práticas acabaram por ser reveladas. Mas há quanto tempo organizações com a credibilidade da Cruz Vermelha ou da Amnistia Internacional já vinham denunciando a situação? Pelo menos desde Janeiro, o comando militar sob a chefia de Rumsfeld tinha conhecimento do que se passava e havia informado o Presidente Bush. Houve alguma consequência? Não. Pelo contrário, aquele que é o responsável máximo pelo Pentágono, Donald Rumsfeld, não só não sofreu qualquer percalço, como foi publicamente elogiado pelo Presidente. Vasco Pulido Valente concluirá que “Abu Ghraib é um sintoma; e um aviso. Não é uma surpresa.” (2)


Perante isto, podemos legitimamente interrogar-nos se a consternação demonstrada pelas autoridades dos E.U.A não se deve, antes de mais, ao embaraço causado pela constatação da existência de uma grave fuga de informação. Não faltaram, de resto, senadores republicanos a clamarem o fim desta “autoflagelação”, acusando mesmo de antipatriotismo aqueles que denunciaram estes crimes. Tal parece ser, também, o significado da primeira medida tomada por Rumsfeld sobre as torturas infligidas aos prisioneiros iraquianos: proibir o uso de máquinas fotográficas ou câmaras de vídeo no interior das instalações militares americanas. Torna-se evidente que a principal preocupação das autoridades dos E.U.A não é acabar com as práticas de abusos no Iraque, mas esconder essas práticas ao mundo.


Este clima de impunidade e de “vale tudo” é particularmente claro no novo campo de concentração de Guantánamo, local onde, violando a Convenção de Genebra – assinada, saliente-se, pelos E.U.A em 1949 – se mantêm os detidos num limbo de não-juricidade, um território fora-da-lei onde não existe, sequer, o princípio básico da sua identificação. Aos cerca de 600 prisioneiros aí existentes é atribuída a surrealista designação de “unlawful combatents” (combatentes ilegais) não lhes sendo reconhecido sequer o estatuto de prisioneiros de guerra e sendo-lhes mesmo negados os mais elementares direitos humanos.


Não é por acaso que foi esta mesma administração Bush que se recusou à possibilidade de submeter os soldados americanos à jurisdição do Tribunal Penal Internacional – não ratificando, aliás, o tratado assinado por Clinton – coisa que, sublinhe-se, a generalidade dos outros países fizeram. Por isso, não admira que o bispo D. Januário Torgal Ferreira, em declarações à Antena Um no passado dia 13 de Maio, tenha dito o seguinte: “O presidente Bush quis dividir o mundo em duas partes e dizer que do outro lado é que estava o eixo do mal. O mundo agora sabe onde é que está o mal.” Elucidativo!


Isto para já não falar da sanha persecutória do Patriot Act que, em nome da segurança nacional, estabeleceu um conjunto de leis de excepção e de limitação das liberdades dos próprios cidadãos norte-americanos, que vão desde as escutas telefónicas, à violação da correspondência, às detenções arbitrárias por simples denúncia anónima, à censura e à perseguição a todos aqueles que se opõem ao governo Bush(3) . Ou da promiscuidade indecorosa entre os grandes interesses económicos e a direcção política do Estado, com os negócios do petróleo, do armamento e da construção civil e obras públicas da própria família Bush, do vice-Presidente Richard Cheney ou da conselheira de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, como exemplos eloquentes(4) . País onde, recorde-se, – graças à mão oculta do seu irmão, o governador da Florida – George W. Bush consegue ser eleito sem a maioria dos votos dos cidadãos americanos(5) .


Que credibilidade moral tem o governo norte-americano para se arvorar em defensor universal dos princípios da liberdade e da democracia e que permite a existência de Bagram, Abu Ghraib ou Guantánamo? Que democracia é esta que invade países à revelia do direito internacional(6), que mata e destrói indiscriminadamente, que permite a prisão, por tempo indeterminado, de milhares de pessoas – pensa-se que cerca de 10.000, já que razões de “segurança nacional” invocadas pelas autoridades norte-americanos, impedem de conhecer o número exacto – e a utilização sistemática e generalizada da tortura e da humilhação? Que democracia é esta que adopta os mesmos métodos terroristas daqueles que diz combater? Porque se pretendermos combater o terrorismo, pondo em causa os princípios democráticos e o Estado de Direito, aí sim, já teremos perdido esta guerra. O terrorismo terá triunfado.


Esta estratégia de combate ao terrorismo está profundamente errada. Há que dizê-lo com toda a frontalidade. É que, como defendeu Mário Soares, é necessário “ter a coragem de não sermos cúmplices desse erro trágico.”(7) A política seguida pelo governo norte-americano induz, pelo contrário, motivos acrescidos para o desespero e para a revolta e dissemina o fenómeno terrorista a uma escala antes desconhecida. Será que a supremacia americana só encontra a sua verdadeira vocação num mundo dominado pela insegurança e pela guerra? Se em tempos, os E.U.A foram um modelo de democracia para o mundo, esta América mete medo. São precisamente estas perplexidades que levam o conhecido escritor inglês John Le Carré a afirmar que os E.U.A “estão só a uma guerra ou a umas eleições de se transformarem naquilo a que chamamos fascismo.”(8)


Sendo assim, porquê segui-los? O actual governo espanhol e de alguns outros países, cujas forças estiveram presentes no Iraque, já perceberam que ali não se tratava de ajudar a construir um país democrático – a falácia do “nation building” – depois da ditadura sanguinária do antigo aliado dos E.U.A, Saddam Hussein, mas de ser cúmplices numa ocupação militar e na imposição de uma ditadura neo-colonial, com vista ao controle total das enormes riquezas petrolíferas deste país e do controle político-estratégico do Médio Oriente, sob a hegemonia americana e de Israel, seu principal aliado na região. Estes foram, desde o início, os motivos inconfessados da aventura americana no Iraque. “Neste caso”, como diz John Le Carré, “o verdadeiro acto de valentia é desertar.”


Porquê, então, segui-los? Suspeitamos que há duas grandes ordens de razões para essa atitude. Ou por subserviência perante o mais forte, e isso chama-se cobardia. Ou por interesse, na perspectiva de lucrar com as possíveis benesses, sem olhar a meios, e isso chama-se falta de escrúpulos e ganância. Qualquer das alternativas, está bem de ver, é pouco digna.


(1) - Expresso, 15 de Maio.


(2) - Diário de Notícias, 15 de Maio.


(3) - Para não referir a absoluta falta de segurança dos estrangeiros que cruzam as fronteiras americanas e que estão – pelo simples facto de serem estrangeiros – sujeitos a todo o tipo de arbitrariedades.


(4) - Não é por acaso que os chorudos negócios da exploração petrolífera e reconstrução do Iraque, foram atribuídos, sem concursos públicos, quase exclusivamente a empresas norte-americanas, das quais se destacam claramente – pela sua ligação a Washington – a Halliburton e a Bechtel.


(5) - Trazendo-nos à memória o conhecido ditado português que diz: “o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita.”


(6) - “Quando a certa altura um jornalista inquiriu o presidente George W. Bush sobre a compatibilidade das decisões norte-americanas com o direito internacional, o presidente limitou-se a responder com arrogância: “O direito internacional? Vou ter de telefonar ao meu advogado!”, Ibrahim Warde, “Abortada corrida ao ouro no Iraque”, Le Monde Diplomatique (edição portuguesa), Maio de 2004.


(7) - Visão, 22 de Abril.


(8) - Visão, 13 de Maio.



publicado por albardeiro às 13:28
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2004
CONTINUAÇÃO de “Outros fogos e os "mesmos" objectivos!”

Parte V


Indústria armamentista: Esse ponto funciona apenas como um óbvio corolário do exposto nos quatro anteriores. É óbvio que os fabricantes de armas (e, sem remorso algum, provavelmente os seus correligionários da espionagem) estão a abrir várias garrafas de champanhe. No entanto, o reverso também pode ser real. E também era óbvio que, se a operação toda ganhasse a dimensão que Bush esperava, a economia americana em recessão ganharia um novo fôlego. Sempre tinha sido assim, e não havia razão para ser diferente agora.


Se assim fosse, Bush e os seus apaniguados deviam “continuar” secretamente a comemorar os efeitos do atentado de 11 de Setembro. Pelo que já se viu, sem qualquer pudor, não poderia (na altura) ter recebido melhor notícia. Irresistível, nesse ponto, fazer uma analogia com o incêndio da sede do parlamento alemão (Reichstag), na noite de 28 de Fevereiro de 1933. Enquanto o prédio ainda ardia, Adolf Hitler, que acabara de assumir o poder, fez um dramático discurso: "Vocês têm aqui um exemplo do que a Europa e nós devemos esperar do terrorismo comunista e dos seu aliados Judeus(!). Sobre estes cairá agora o punho duro e poderoso". Imediatamente, foram presos 4.000 militantes comunistas e outro tanto de social-democratas, liberais e judeus. Hitler, com grande oportunidade política, aproveitou o momento para consolidar o poder nazi. Começava a sua ditadura.


Hitler responsabilizou os comunistas e em parte a comunidade judaica, antes de qualquer comprovação (como Bush, devidamente ancorado pelos média histéricos falou de outros... no geral); também Hitler, falou em nome da "Europa", contra o inimigo universal que eram todos os de esquerda(!) (como Bush fala em nome da "civilização" e da "democracia" contra o Islão); e, finalmente, fez do julgamento uma farsa para justificar a sua própria ditadura. Até hoje, ainda existem dúvidas quanto à autoria do incêndio do Reichstag. Ao que parece, foi um acto isolado de um comunista holandês Van der Lubbe, embora existam suspeitas de que tenha sido obra dos próprios homens de Hitler.


Não há, obviamente, evidências de que os "homens de Bush" armaram o atentado em Nova York e Washington (Já o disseram alguns: Thierry Messan, Samy Adghirni, Gore Vidal, etc.). Contudo, Osama bin Laden, foi treinado pela CIA e, portanto, tem usado os seus métodos. Se foi mesmo ele o autor, como conseguiu montar tal operação sem ser detectado? Não seria essa a primeira vez, aliás, que os serviços secretos americanos teriam permitido a realização de um ataque, para com isso obter os necessários pretextos para os seus objectivos. Provavelmente, não sabiam era a sua dimensão e consequências (já alguém deu com a língua nos dentes e os inquéritos, felizmente, estão em marcha; lembram-se também do que aconteceu quanto a Pearl Harbor).


Independentemente de quem foi o culpado, o acto terrorista de 28 de Fevereiro de 1933 foi ideal para a ascensão de Hitler, assim como o 11 de Setembro de 2001 foi ideal para dar um impulso decisivo ao governo do medíocre Bush. Um filósofo alemão disse, certa vez, que a história (sempre) se repete como farsa. Tivesse ele a infelicidade de conhecer Bush júnior, que já é a versão tragicómica do seu pai (ele próprio, um emblema da decadência americana), o filósofo seria obrigado a dizer que não há limites para a farsa (e para a indecência) na história dos homens.


Para a próxima, depois de vários pedidos (no e-mail) o tema versará sobre o... Alentejo!



publicado por albardeiro às 22:04
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Sábado, 22 de Maio de 2004
CONTINUAÇÃO de “Outros fogos e os "mesmos" objectivos!”

Parte IV


Geopolítica: Os Estados Unidos, por sua culpa, “encaixaram” uma série de importantes reveses no quadro da ONU. Em Março de 2001, imagine-se, foram expulsos da Comissão de Direitos Humanos, por terem votado sistematicamente contra todas as resoluções aprovadas por aquela instituição, desde 1948. Em Junho do mesmo ano, a Conferência de Bona aprovou o Protocolo de Kyoto, por 178 votos contra um (Estados Unidos). Em seguida, os Estados Unidos foram levados a retirar-se da Conferência contra o Racismo, de Durban, juntamente (com quem?) com Israel.


Claro, como se viu no caso da invasão do Iraque, Bush deu o troco (só que o dito é mau de contas... e pagamos todos). Na prática, a arrogância imperialista dos Estados Unidos destruiu a ONU. Todas as medidas anunciadas por Washington após o 11 de Setembro passaram à margem e ao largo daquela instituição. Claro, que isso já tinha acontecido, em certa medida, durante a guerra do Kosovo (quando as iniciativas foram tomadas no quadro da NATO). Mas, depois e agora, todas as máscaras caíram, definitivamente. O Tio Sam não atribuiu nenhuma legitimidade à organização (até quando? Ou o modelo está esgotado? É urgente “outra” ONU).


Isso está a ser especialmente perigoso quando se considera que, com a operação militar actualmente em marcha, a Casa Branca tem um objectivo estratégico bastante preciso: lançar sólidas bases que lhe permitam controlar total ou parcialmente a Eurásia, região considerada absolutamente "estratégica", no século 21, pelo establishment intelectual americano. Só que, para realizar esse plano, os Estados Unidos ainda têm de criar um "cordão sanitário" em torno da Rússia. Esses objectivos já foram anunciados em 1992, quando o Pentágono aprovou uma resolução, intitulada Defense Planning Guidance (Guia de Planeamento de Defesa), alguns trechos foram publicados no jornal The New York Times (de 3 de agosto de 1992). No fundamental, o documento estabelece como um dos objectivos centrais do governo de Washington "neutralizar" e "impedir o renascimento" da rival Rússia. Na prática, tinha como uma das conseqüências imediatas "ampliar a presença" dos Estados Unidos nos países que faziam parte da União Soviética, assim como nos Bálcãs e no antigo Leste europeu.


Essa perspectiva foi também defendida por Zbigniew Brzezinski, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e um de seus mais influentes estrategistas. Brzezinski explicita (va) três razões principais para "neutralizar" a Rússia: é o país que liga a Europa à Ásia, é dona de vastos recursos naturais (ainda mais, se contarmos com os países sob a sua influência) e, sendo altamente instável do ponto de vista político, pode permitir que novos movimentos "comunistas" ou nacionalistas tomem o poder, assim como provar-se incapaz de conter a "expansão islâmica".


A "conquista da Eurásia" é a pedra angular da sua estratégia. "Cerca de 75 por cento da população mundial vive na Eurásia, que possui a maior parte dos recursos naturais do planeta... Ali estão 60 por cento do PIB do planeta e cerca de 75 por cento das suas reservas conhecidas de energia... Depois dos Estados Unidos, as outras seis maiores economias e os seis maiores investidores em armas estão localizados na Eurásia. Todos os poderes nucleares, excepto um, estão ali localizados" (Zbigniew Brzezinski, The Grand Chessboard: American Primacy and its Geostrategic Imperatives, Basic Books, Nova York, 1997).


Não há dúvida, portanto, de que a presença militar na Ásia Central não corresponde, em hipótese alguma, a uma "reacção ao terrorismo". É o resultado de uma estratégia de longo alcance, muito bem pensada, que lança mão do pretexto e que se colocou em marcha. Daí também a fabricação do "fanatismo islâmico". O "combate ao Islão" tem como real justificativa o solo geopolítico sobre o qual ele se desenvolve.


Continua...



publicado por albardeiro às 14:18
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2004
CONTINUAÇÃO de “Outros fogos e os "mesmos" objectivos!”

Parte III


Petróleo: Bush e mais ainda o seu vice, Cheney, são oil men, representantes directos das empresas petrolíferas do Texas. Não foi por acaso que Cheney anunciou a disposição de abrir à exploração do petróleo as últimas regiões de preservação ambiental situadas no Alasca, com efeitos devastadores para o equilíbrio ecológico e ampliação do "efeito estufa". A submissão canina de Bush aos interesses das petrolíferas do Texas determinou a sua ruptura com o Protocolo de Kyoto, afundando ainda mais o isolamento dos Estados Unidos na comunidade das nações.


Ora, a luta pelo controlo do petróleo mundial conferiu o norte da estratégia dos Estados Unidos para o golfo Pérsico e para a Ásia Central. E existia/existe um país cuja localização geográfica é absolutamente estratégica, justamente por ser a região de passagem entre o Médio Oriente e a Ásia Central. Esse país chama-se Afeganistão. O cerco dos Estados Unidos aos Talebans só aparentemente teve algo a ver com o "combate ao terrorismo". Tratou-se, na verdade, de criar as condições geopolíticas para o controlo das mais vastas reservas de petróleo do planeta, situadas numa região que, historicamente, foi "área de influência" da Rússia czarista e depois da União Soviética.


Os cinco países da bacia do Cáspio — Azerbaijão, Cazaquistão, Irão, Rússia e Turcomenistão — possuem reservas estimadas em 200 bilhões de barris de petróleo e um volume comparável de gás. Apenas o Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão contêm mais petróleo e gás do que o Golfo. As cinco maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos (Chevron, Conoco, Texaco, Mobil Oil e Unocal) concluíram ou estão vias de concluir uma série de acordos milionários com esses países (excepto o Irão) para explorar essas reservas.


Agora é fácil de entender por que é que, em 1992, o senador norte-americano Robert Dole declarou que as "preocupações" dos Estados Unidos quanto às reservas de petróleo e gás mundial se tinham ampliado da região do Golfo "rumo ao norte, incluindo o Cáucaso, o Cazaquistão e a Sibéria". E, cinco anos depois, o senador Sam Brownback fez aprovar uma nova resolução, conhecida como Estratégia da Rota da Seda, segundo a qual os Estados Unidos deveriam "ampliar a sua presença" na bacia do Cáspio, à medida que vão sendo construídos novos oleodutos entre o Oriente e o Ocidente através daquela região. A Rota da Seda foi o caminho seguido por Marco Pólo para o Extremo Oriente, e abarca boa parte do Afeganistão. É também o petróleo, aliás, que explica os interesses em jogo na guerra da Rússia com a Tchechénia. Por ali passam fontes e linhas de abastecimento de petróleo e gás iranianos e da bacia do mar Cáspio.


O atentado de 11 de Setembro deu todos os pretextos para uma intervenção em grande escala naquela região, certamente impensável até a essa data. Como se viu, o presidente russo Vladimir Putin, certamente pressionado pelos generais do seu país, ensaiou um tímido protesto contra o deslocamento maciço de forças militares dos Estados Unidos para aquela área. Mas Putin estava/está economicamente prostrado e politicamente "amarrado" pelos compromissos no quadro do G-8.


CONTINUA...


Ps.; Como eu gostava de ter tempo para deixar os necessários comentários na cibernética da escrita “blogueira”, os afazeres apenas me dão tempo para a leitura (às vezes em diagonal). No entanto, aqui dou público testemunho de alguns que mais tenho visitado:


http://alentejanando.weblog.com.pt/


http://ao-sul.blogspot.com/


http://planicie-heroica.weblog.com.pt/


http://milmaisuma.leiturascom.net/


http://ideias-soltas.weblog.com.pt/


http://pauloquerido.net/


http://lotus1.blogs.sapo.pt/


http://botaacima.blogs.sapo.pt/


http://www.gatofedorento.blogspot.com/


http://jumento.blogdrive.com/


http://www.viriatos.blogspot.com/


http://pracadarepublica.weblog.com.pt/


http://alandroal.weblog.com.pt/


http://www.aoutramargem.blogspot.com/


http://www.barracromologica.blogspot.com/


http://mulheres.weblog.com.pt/


http://www.barnabe.weblog.com.pt/


http://cartaslondres.blogspot.com/


http://www.causa-nossa.blogspot.com/


http://food-i-do.blogspot.com/


http://memoriavirtual.weblog.com.pt/


http://blogs.parlamento.pt/REPUBLICADIGITAL/


http://amor-e-ocio.blogspot.com/


http://abrupto.blogspot.com/


http://estudossobrecomunismo.weblog.com.pt/


http://professorices.blogspot.com/2004_05_01_professorices_archive.html#108420711883971611http://queuniversidade.weblog.com.pt/http://fiodeariana.blogspot.com/http://adufe.weblog.com.pt/http://escritaiberica.weblog.com.pt/http://www.des-encantos.blogspot.com/


http://mhroque.blogspot.com/


(...) mas existem outros! Fica para a próxima.



publicado por albardeiro às 17:59
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2004
CONTINUAÇÃO de “Outros fogos e os "mesmos" objectivos!”

Parte II


Globalização: Até ao dia 11 de Setembro, as instâncias que “mandam” no mundo globalizado — G-8, FMI, Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio — estavam cada vez mais isoladas e desmoralizadas, sob o impacto das crescentes mobilizações de rua. As manifestações de Génova, que chegaram a mobilizar 300.000 pessoas após o assassinato do jovem italiano Carlo Giuliani, 23 anos, colocaram num novo patamar o movimento contra a globalização. Como era evidente os “dominadores” estavam na defensiva, não tinham nenhuma proposta, não apresentavam nenhuma iniciativa.


Depois do atentado, as coisas mudaram, pelo menos momentaneamente. Dentro dos Estados Unidos, foram imediatamente suspensas importantes manifestações previamente convocadas para o final de Setembro desse ano. A partir daí, muitas organizações ficaram temerosas de ser qualificadas como "antipatrióticas" ou mesmo de "terroristas".


Pior ainda: as polícias políticas começaram a agir com muito mais arrogância e desenvoltura contra os movimentos sociais e populares, nos Estados Unidos e em todo o mundo. Nem é necessário desenvolver aqui, em detalhes, a brutalidade das operações comandadas pelo FBI, que passou a criar "listas de suspeitos" sem explicar quem são eles, quais os motivos que fizeram para que assim fossem considerados, nem sequer explicitam os crimes de que são acusados. Basta ouvir ou ler com um mínimo de atenção as notícias que chegam de lá para se dar conta do clima de demência histérica devidamente criado com o auxílio dos media. Qualquer semelhança com o período macarthista, nos anos 50, não é mera coincidência.


No quadro da União Europeia, já estava em curso uma operação de "criminalização" dos movimentos contra a globalização. Logo após os eventos em Génova e duas semanas antes do atentado em Nova York, os ministros do Interior dos países membros da U.E. já tinham decidido utilizar contra todo e qualquer manifestante os recursos da “inteligência policial” antes utilizados apenas contra os suspeitos de narcotráfico. Como se sabe, desenvolveram o Sistema Schengen de Informação (SSI), fortemente criticado até mesmo por intelectuais liberais como um atentado ao direito de manifestação, de expressão e de livre trânsito. Resumindo, depois do atentado, o anunciado e implementado "reforço" das "medidas de vigilância contra o terror" apenas serviu de pretexto para ampliar o policiamento.


Continua...



publicado por albardeiro às 00:41
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Terça-feira, 18 de Maio de 2004
Outros fogos e os "mesmos" objectivos!

Lendo vários textos, em particular, uma entrevista com o jornalista e cientista político francês Thierry Messan que, como é do conhecimento geral, este “intelectual francês alcançou fama mundial ao sustentar a tese de que os atentados de 11 de Setembro são obra da elite militar próxima ao governo Bush. E que a versão oficial sobre o ataque ao Pentágono é uma farsa Samy Adghirni Da equipe do Correio AFP”, ver; http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2003/09/263148.shtml.


Também, José Arbex Jr., ainda a obra, 11 settembre: il Reichstag di Bush – libro; From: "Davide Bertok"; ou então, Miguel Urbano Rodrigues em RECORDAI O INCÊNDIO DO REICHSTAG!, quando afirma: “O presidente George W. Bush invoca Deus a cada passo nos seus discursos, diz agir em nome dele, mas não consulta oráculos nem sequer os gurus e pitonisas que pululam no seu pais. Faz a guerra a outros povos por decisão pessoal, alegando que os EUA emergem como nação predestinada, a única em condições de assumir a defesa de valores eternos. A guerra é apresentada assim como uma exigência moral. Os mísseis norte-americanos destroem cidades e as bombas lançadas dos B-52 esfacelam corpos humanos em nome de Deus para preservar a cultura, em beneficio da civilização e da humanidade. A repulsa universal e também o sentimento de insegurança desencadeados pelos atentados terroristas de 11 de Setembro pp abriram o caminho ao discurso da retaliação e à apologia da guerra como o instrumento indispensável para a erradicação da violência e a conquista da paz e da concórdia entre os homens. A retórica messiânica desse discurso belicista cultiva as analogias, respeitando tradição norte-americana que não dispensa nas arengas presidenciais as citações bíblicas e as referencias à Roma dos Césares.” Ver, http://resistir.info/mur/reichstag_09Abr02.html


Tendo em conta estas afirmações/comparações, singularmente a de José Arbex, “Ninguém lucrou tanto quanto Geroge Bush júnior com o atentado de 11 de Setembro”, iniciamos hoje a “postação” de um texto, de certa forma, sociohistórico sobre os objectivos/estratégias que levaram os falcões americanos à rapina dos recursos energéticos do “nosso” planeta!Como é um “pouco” extenso e, como devem ter constatado, não sou um “alimentador” diário do BLOG, vai em doses, Cá vai:


Legitimidade: Bush não foi eleito pela maioria do povo do seu país. Venceu graças à fraude mais descarada, típica de uma qualquer “republiqueta” das bananas. Quando prestou juramento para ser empossado como novo chefe da Casa Branca, Washington amanheceu “ocupada” por 7.000 agentes da polícia, com receio de manifestações. Foi uma cena sem precedentes nos Estados Unidos. Não é carismático (excepto para os delegados ideológicos que por aí campeiam), tem domínio bastante precário do seu próprio idioma e é amplamente conhecido por não ser exactamente brilhante — lembram-se (a procura das armas de destruição maciça debaixo do tapete), ele próprio já comentou as piadas que o descrevem como um completo idiota nos corredores da Casa Branca. Pois bem, o atentado de 11 de Setembro permitiu-lhe apresentar-se, pela primeira vez, como presidente de facto dos Estados Unidos. Certo: com muitas horas de atraso e com uma hesitação imperdoável em qualquer estadista, ainda mais num momento tão crucial como aquele. Ainda assim, ele pôde falar como o representante maior da nação. Basta lembrar os gritos de "USA" dos operários enquanto Bush fazia uma caminhada por entre os escombros do World Trade Center.O êxito do apelo à "união nacional" pode ser medido pela rapidez com que o Congresso aprovou a concessão de poderes ilimitados para utilizar "todos os recursos necessários" para "combater o terrorismo". Bush obteve a unanimidade no Senado e 420 votos da Câmara dos Deputados. O único voto contrário foi o da democrata Barbara Lee, da Califórnia, sob a alegação de que a medida, na prática, eliminava o equilíbrio entre os poderes e colocava em questão a própria essência da democracia americana. Tal coesão em torno de Bush seria absolutamente impensável até algumas horas antes do atentado, assim como hoje, passadas as atrocidades todas, fruto de um chorrilho de mentiras.


Continua...



publicado por albardeiro às 00:50
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2004
Movimentos Civis!...

Quando se fala nos prisioneiros iraquianos e na actuação dos carcereiros ligados às forças militares ocupantes, todos são unânimes em afirmar que as chamadas ONGs, mais próximas deste tipo de situações, já sabiam do que se estava a passar nos campos de prisioneiros. Muito sinceramente, com todas as letras, para mim, não foi surpresa. Quando os delegados ideológicos do Pentágono, afirmavam que “Guerra... é Guerra”, o que é que se estava à espera! No entanto, feita a denúncia por “alguma” comunicação social, tudo se indignou com o “facto”. Posto isto, fiquei “rodeado” de dúvidas . Então se as tais ONGs já sabiam porque não o denunciaram como fizeram no caso de Guantanamo?! Porque é que os inquéritos já decorriam, parece que desde Janeiro de 2004, e praticamente nenhuma organização fez o “favor” de fazer a denúncia veemente da situação? Teve que ser a “maldita” da comunicação social a denunciar os procedimentos dos paladinos da “exportação” dos direitos humanos e da democracia!


Hoje no Público, o Fernando Rosas escrevia sobre as mentiras da invasão e ocupação do Iraque, o que em parte concordo (aliás, tanto eu como o Hugo, já escrevemos, neste blog, sobre o assunto, é só consultar o arquivo), mas também escrevia isto sobre a presumível denúncia do “tratamento” dos prisioneiros iraquianos, a saber: Também o não serão, seguramente, para as várias organizações humanitárias (Human Rights Watch, Cruz Vermelha Internacional, Amnistia Internacional) que, desde a invasão do Afeganistão, passando por essa "zona de não direito" que é a base de Guantanamo, até à guerra civil e às prisões dos EUA no Iraque, têm vindo, há mais de um ano, a denunciar persistentemente, mas sem sucesso, junto das autoridades americanas, o recurso sistemático e repetido por parte das forças militares ocupantes, dos seus serviços prisionais e dos vários serviços de informações, à tortura de prisioneiros, às execuções sumárias de civis, ao uso desproporcionado da força durante as detenções, à negação dos mais elementares direitos de defesa aos presos.


Em parte, não posso concordar com F. Rosas. Talvez tenha razão num aspecto, a denúncia do que se estava a passar junto das autoridades americanas. Mas essas (autoridades) pouca coisa iriam fazer, já que eram também “autoridades” americanas que estavam a cometer as atrocidades. O que as ONGs deviam ter feito era dar a máxima visibilidade à situação de denúncia. Quanto a mim não o fizeram. Resulta daqui que, para já, tenho duas dúvidas: ou porque não sabiam efectivamente o que se estava a passar (e então “inventam” que já sabiam); ou por não ser oportuno e haver algum engajamento de algumas organizações com o sistema... a situação dos prisioneiros estava no “reino” da omissão. Estou de facto “rodeado” de dúvidas.


Depois de ler mais um texto de Emir Sader*, sobre a conjuntura internacional e onde se inclui o papel das ONGs, o que não tenho dúvidas - é o que me parece que são algumas das tais Organizações Não-Governatais, nomeadamente as de cariz socioeconómicas -, e disso, na medida do possível, passo a dar conta:


Todo o fenómeno que é “novo” assume provisoriamente nomes que não chegam a dar conta de toda a sua riqueza. Frequentemente assumem a sua identidade, no início, mais pela negação àquilo a que se opõem do que pela afirmação da sua própria natureza.Não foi estranho, assim, que novas formas de organização surgidas ao longo das últimas décadas tenham assumido o nome de “organizações não governamentais” ou ONGs. Lutando por reivindicações no campo dos direitos – das mulheres, dos negros, do meio ambiente, da democratização dos meios de comunicação, dos cuidados de saúde, dos consumidores, da cidadania, entre outros –, conquistaram um espaço próprio, incentivaram a mobilização e a organização de amplos sectores da sociedade, foram mais além do que as formas tradicionais de “luta” – partidos, sindicatos, eleições, parlamentos, governos.


O seu sucesso e perduração – como também as suas mudanças de forma e de função – passaram a colocar problemas mais sérios sobre a sua natureza, a sua composição, a sua relação com outras instâncias da sociedade, a sua transparência, a sua composição, etc. O carácter “não-governamental” dessas organizações passou a revelar, cada vez de maneira mais aguda, a sua ambiguidade. Provavelmente, porque a sua autodefinição como organizações não-governamentais assenta na oposição governamental/não governamental ou, caso se prefira, na oposição estatal/privado.Essa oposição é a que fundamenta o pensamento liberal sobre a sociedade e se presta a grandes confusões ou, pior, a fazer o jogo do liberalismo e do neoliberalismo. Para o liberalismo, trata-se de desqualificar o Estado (e os governos) e privilegiar os espaços da “sociedade civil” composta por indivíduos, articulados pelo mercado. No espaço da “sociedade civil” congrega-se tudo o que não é Estado – de sindicatos de trabalhadores a empresas privadas, de movimentos sociais a máfias. A “sociedade civil”, assim, é um saco de gatos quando se torna conceito, introduzindo confusões e, pior, amalgamando coisas diferentes, em oposição ao Estado e ao governo, como convém ao liberalismo e ao neoliberalismo.


Se se tratar de lutar contra a hegemonia neoliberal e a sua concepção mercantil do mundo, segundo a qual tudo se vende e tudo se compra, tudo tem um preço – em suma, a centralidade do mercado ou o mercado é tudo –, parece-nos que a oposição não é aquela entre estatal e privado, mas entre público e mercantil. Porque o estatal é um espaço de disputa, havendo Estados (a maioria) dominados pelos interesses privados – isto é, dos grandes capitais privados – e Estados hegemonizados pelos interesses públicos. Um exemplo destes são aqueles em que os governos se orientam pelas políticas de orçamento participativo, em que a cidadania organizada decide sobre a utilização dos recursos orçamentais.A esfera pública é aquela que atende aos direitos universais da população, identificando-se assim com as políticas democráticas, que se supõe, pelo atendimento dos direitos dos indivíduos, no fundo, a sua constituição em cidadãos. Como se sabe, para o liberalismo, o seu conceito de “sociedade civil”, compõe-se de indivíduos e não de cidadãos – isto é, de sujeitos com/de direitos, não reconhecidos pelo mercado.


Assim, os movimentos que lutam por “um outro mundo possível” têm de ser mais democráticos, mais transparentes do que as organizações do sistema político liberal, que até lhes convêm (transformaram –nos numa outra forma de caridade; lembram-se das filantropias e das beneficências, que campearam para redimir os pecados do capitalismo selvagem, ao longo do século XIX?!) . Devem portanto, antes de tudo, assumir a sua natureza de movimentos civis – de cidadania, assente na defesa dos interesses públicos – e abandonar a denominação de ONGs, que se presta a confundi-las com organizações neoliberais e com organizações que se submetem às políticas do Banco Mundial.Devem, além disso, ter absoluta transparência sobre as suas fontes de financiamento, sobre os critérios de participação nelas, sobre as formas democráticas de eleição dos seus dirigentes, sem o que são vulneráveis às acusações de que lutam por aprofundar a democracia, mas têm legitimidade duvidosa por não se assumirem claramente como organizações civis e públicas.


Por exemplo, uma das mais importantes organizações surgidas no movimento contemporâneo na luta por “um outro mundo possível” – ATTAC de França (www.france.attac.org)– possui um exemplar formato organizativo, transparente e sob controlo democrático, nas suas formas de participação, de financiamento e de escolha dos seus dirigentes.As ONGs e todas as nebulosas fronteiras com o neoliberalismo ou os movimentos civis: não se trata somente de assumir nome, mas de assumir um conteúdo coerente com a luta por democracias políticas, sociais, económicas e culturais, com carácter público, contra a mercantilização do mundo.


Como já fiz referência noutro "post", *Emir Sader é jornalista, escritor, autor de A Vingança da História, editora Boitempo.



publicado por albardeiro às 18:25
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2004
... coisas da nossa educação!

Sem grandes comentários, porque a época... ainda é de contenção (será!), publicamos mais um texto do Hugo Fernandez, sobre uma "batata"... e ainda por cima a apodrecer! Como sempre, o ALBARDEIRO agradece... como diz o refrão nacional "nunca vi nada assim!!!" Claro que já vimos... é endémico.


FALTA DE EDUCAÇÃO


Aconselha a mais elementar decência que se reconheçam os erros cometidos e obriga um mínimo de educação que, no caso desses erros prejudicarem terceiros, se peça desculpa aos afectados. Este simples código de conduta individual devia, com acrescida razão, nortear a vida pública. Quando se ocupam cargos políticos e se têm responsabilidades governativas, não só estes procedimentos deviam ser implícitos como se impõe sempre retirar todas as ilações decorrentes dessas responsabilidades, que podem culminar, naturalmente, na demissão dos agentes envolvidos. À honestidade individual somar-se-ia, assim, a necessária dignificação do serviço público.


De facto, a administração da coisa pública, implica, para além de uma constante lisura e transparência de procedimentos, um permanente despojamento pessoal e disponibilidade dos dirigentes para a renúncia aos cargos, se para tal não forem aptos. Senão, estaremos apenas no domínio dos “tachos” destinados a alimentar as ambições desmedidas de uns quantos boys.


Ora, pelo que se viu nos últimos dias, parece que estes princípios básicos de bom senso e urbanidade não são apanágio da actual equipa dirigente do Ministério da Educação. A dimensão e gravidade dos erros cometidos – que, aliás, nunca antes tinham atingido estas proporções – quando da publicação das listas ordenadas do concurso de professores para 2004-2005, afectou dezenas de milhares de profissionais e trouxe a angústia às suas famílias e a instabilidade às escolas. Forçados a admitir os erros, tal a extensão do “caos”, os responsáveis do Ministério ensaiam uma “fuga para a frente”: nem a assunção clara das responsabilidades, nem as necessárias consequências políticas, nem um simples pedido de desculpas aos milhares de afectados. Nada.


Recorde-se que ainda em Fevereiro, imediatamente antes do concurso ser lançado, o secretário de Estado da Administração Educativa, Abílio Morgado, propagandeou, em conferência de imprensa, o novo sistema informático – orçado em 600 mil euros – alegando que era praticamente à prova de erro. Estamos assim perante um comportamento de total impunidade e falta de vergonha, própria de títeres de um qualquer país do terceiro mundo. E isto só pode significar duas coisas: ou o apego obstinado ao poder obnubila os deveres da consciência, ou o desprezo pelos professores é tal que, aos olhos da tutela, não se justifica qualquer sinal de penitência, confirmando a alegação de João Paulo Guerra de que “O negócio deste Governo é números. Se os números têm ou não pessoas lá dentro é indiferente.” (Diário Económico, 6/5/04). Nenhuma das alternativas deixa de ser, evidentemente, condenável.


Até porque este tipo de enganos é recorrente. Com efeito, desde que a actual equipa ministerial tomou posse, todos – sublinhamos todos – os concursos ou publicações de resultados têm sido feitos com atrasos. O tratamento informático da informação ou o acesso on-line à mesma, falha constantemente, quando não é, de todo, inviável. Repetidas vezes são alteradas as regras, já com concursos iniciados. As colocações irregulares de professores são inúmeras. Os erros sucedem-se e não são corrigidos. Se isto acontece com o que deviam ser meros procedimentos administrativos de rotina, o que será de esperar da resolução das ciclópicas e complexas questões da educação.


E, perante isto, o que proclamam estes responsáveis? Arvoram-se em expoentes máximos de sabedoria e competência, arrasando tudo o que estava feito, como se os anteriores dirigentes do Ministério fossem acéfalos e incapazes. Desqualificam as críticas e menosprezam os críticos. Denigrem sindicatos e profissionais. Processam os que denunciam irregularidades. Como corolário de tão desastrosa actuação, manifestam profunda arrogância e absoluto autismo. Como exemplo de uma péssima lição de cidadania e de (má) educação, não está mal! Especialmente quando se trata dos mais altos responsáveis por este sector. Como escreveu o professor José Paulo Serralheiro, “A educação é um bem precioso. É demasiado importante para ser entregue a incapazes.” (Público 8/5/04). De governantes assim, decididamente, não precisamos.



publicado por albardeiro às 16:01
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2004
Alentejo...

Nota Prévia


Mais algumas palavras sobre o papel/função dos autarcas. Ao nível regional, todos os actores são protagonistas do desenvolvimento, na busca de um projecto comum num espaço controlado localmente. O Poder Local tem papel indutor, em aliança com os actores locais (cidadãos). Os agentes económicos devem actuar de forma estratégica na cadeia produtiva que caracteriza o território local, apoiados numa visão que busca a promoção da capacitação e consciencialização para a sustentabilidade regional. Os actores locais são o factor de criação de ideias e construção da identidade, pela presença de capital humano, conhecimento, inovação e responsabilidade compartilhada. Como se sabe, processo é tempo e supõe constante mudança. A dialéctica só existe quando se utiliza esta noção de tempo na busca por compreender o processo solidário de transformação do território. Vivemos um período que é uma crise, pela sobreposição de forças que são convergentes no tempo – agem simultaneamente; e são divergentes na forma e função – partem de diferentes agentes, com acções diferentes; e, diferentes nos impactos por elas gerados. Instalam-se em toda parte e a tudo influenciam. São variáveis que se chocam e incomodam, agindo e reagindo, "o movimento contrário" dos antagonismos. E aqui importa conhecer os processos, a dinâmica dos lugares, através de um modo de pesquisa aberto e dinâmico, onde não há uma afirmação de verdade total. Parece-me que alguns blogs tem trazido contributos muito válidos.


ALENTEJO: um equívoco ou uma região?


A GEOGRAFIA E A HISTÓRIA


Parte IV


No conjunto parece ser possível identificar três pólos distintos de desenvolvimento e de histórica articulação do espaço - excluindo Évora, pela sua posição e função central, não só face à região mas a todo o conjunto do Alentejo - distinguindo-os de uma área periférica, de características distintas. A possibilidade de desenvolvimento simultâneo de núcleos urbanos tão próximos remete, desde logo, para uma realidade que, sendo típica de regiões europeias que desde a Idade Média mantiveram até hoje a sua riqueza, só acha um paralelo alentejano nas terras situadas imediatamente a sul da escarpa da Vidigueira, no Baixo Alentejo.


Significa isto que encontramos condições naturais suficientemente favoráveis para levarem, à multiplicação dos centros urbanos? Parte significativa dessa prosperidade justificar-se-ia historicamente por as terras serem especialmente aptas para o cereal e a oliveira, com repercussões na prosperidade da indústria moageira e dos lagares. Na centúria de novecentos, percorrendo as colinas com vista à elaboração do Guia de Portugal, Raul Proença notara que esta região «é toda ela um olival densíssimo». Daí, talvez, a predilecção dos monarcas medievais por uma vila (Beja) com tais facilidades de abastecimento, e que, a seguir a Évora, se afirma como um dos locais privilegiados de pousada do rei, levando D. Dinis a construir aí um paço.


Ao pão e ao azeite vem juntar-se, em força, o vinho. Sobretudo em Borba que era e é um dos mais significativos centros produtores do Alentejo. Até ao século XIX repartia a posição dominante no sector com a área da Vidigueira, Vila de Frades, Vila Alva, e, tal como esta última área, tinha produtores suficientemente conscientes e organizados para fazerem ouvir o seu protesto junto do poder central, contra a invasão da cultura da vinha, que alastrava no Alentejo na segunda metade do mesmo século e na primeira metade do seguinte (à medida que também o sucesso dos trigos estrangeiros vai tornando menos competitiva a cultura arvense), e que a ameaça privar, face à concorrência de vinhos de inferior qualidade - os de Elvas, por exemplo -, de um predomínio que julgava indiscutível.


Apesar da filoxera, a implantação da vinha não parece ter mudado muito na actualidade: a maior parte das áreas que entretanto se tinham lançado na produção para o mercado não resistiram; os centros históricos de produção de vinho, pelo contrário, mantêm o seu papel tradicional como pólos de outras tantas regiões vinícolas: a do Redondo e, mais a sul, a de Reguengos de Monsaraz. juntas, com o seu prolongamento baixo-alentejano da Vidigueira, estas regiões formam uma meia-lua vinícola que, a par de outras de organização mais antiga (o Douro é a principal) vêm desfrutando de uma certa preponderância no mercado interno.


O liberalismo, a desamortização e, no século XIX mais tardio, a venda dos terrenos baldios, permitiram que aqui e no resto do Alentejo - José Cutileiro estudou o processo para o concelho de Reguengos de Monsaraz - muitos lavradores que cultivavam terras de outrem se pudessem vir a transformar, eles próprios, em senhorios rentísticos. Uma modificação real, e de vulto, só adviria com a segunda metade da presente centúria (1967), no momento em que o plano de construção de barragens no Alentejo permitiu o aparecimento de um perímetro irrigado, grosso modo, que vai do Caia a Santa Clara.


No arranque do regadio do Caia, por exemplo, embora mais de metade da área total irrigada ainda fosse ocupada por um pequeno número de 19 médios e grandes proprietários, com mais de 100 hectares cada, a restante superfície era dividida entre 694 proprietários, entre os quais 480 com menos de um hectare. O tipo de agricultura intensiva praticada - arroz, tomate - provocou ainda, tal como nos vales do Sorraia ou do Sado, um intenso movimento sazonal de mão-de-obra que veio afinal substituir-se às tradicionais migrações de «ratinhos», provenientes da Beira, aquando das ceifas, que sempre haviam sido particularmente intensas na região de, Elvas.


A profundidade das transformações registadas não chega, no entanto, para apagar aquele que parece ser, no Alentejo, o mais permanente vector de ordenamento do território, historicamente situável desde o domínio romano: o predomínio do interior face ao litoral, que é também o das terras do maciço antigo face aos terrenos sedimentares arenosos das bacias do Tejo ou do Sado. No Alto como no Baixo Alentejo. Aqui, tanto como no clima ou no regime de propriedade, está a medida da diferença em relação ao vizinho Algarve ou às regiões situadas a norte.


CONTINUA...



publicado por albardeiro às 01:12
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Segunda-feira, 3 de Maio de 2004
A "coisa" infinita...!

Por mou dos deveres... está tudo atrasado: as leituras, os comentários aos blogs de estimação, as minhas escritas... quase tudo! No entanto, os amigos dizem presente... quando estou mais ausente. Vai daí, aparecem alguns textos... o ALBARDEIRO, como sempre, agradece. Talvez (digo talvez...) possa parecer descontextualizado, mas não está; é mais actual do que parece! Do Hugo Fernandez, publique-se:


BARALHAR E DAR DE NOVO


Pedro Norton está enganado. Em recente artigo na revista Visão – “Em casa onde não há pão...” (15 de Abril, p. 52) – onde pretende estabelecer uma tipologia das posições existentes em Portugal sobre a situação iraquiana, um ano depois da queda de Bagdad, Norton conduz-nos a uma indisfarçável perplexidade. Com efeito, parte substancial do artigo parece uma missiva com destinatário errado. Expliquemo-nos. No espectro político da direita – classificação que o articulista, note-se, apenas aceita “por conveniência” – identifica e caracteriza dois grupos. Aqueles que genericamente designa por “vira-casacas” que, após terem sancionado incondicionalmente a intervenção americana no Iraque e aceite todas as falaciosas justificações então aduzidas por George W. Bush e seus acólitos, passam agora o tempo a desdizer o que tinham dito e, pensamos nós, entretendo-se em malabarismos argumentativos dignos da mais completa desorientação mental ou da mais rematada hipocrisia; e aqueles a quem chama “obsessivos” que mantêm, contra toda a lógica decorrente da simples constatação dos factos e o mais elementar bom-senso, a defesa da hiperpotência americana e do receituário imperial dos neo-conservadores reinantes.


O que há de comum nestas duas correntes é a terminante recusa em reconhecer o erro. É que, como nos parece claro, essa honestidade intelectual pressupunha aceitar a validade das posições dos adversários. Alguma objectividade analítica demonstrada até ao momento esbate-se, quando Pedro Norton se refere ao campo da esquerda (designação utilizada agora sem qualquer necessidade de precauções conceituais). Neste ponto, o articulista é muito menos contemporizador e revela uma acentuada acrimónia: “A ausência absoluta de sentido de Estado é aqui a palavra de ordem. Para não falar abertamente em irresponsabilidade”. Ficamos suspensos e procuramos nas linhas seguintes as evidências que confirmem semelhante asserção. Debalde. Nada do que é dito posteriormente parece sustentar tão liminar sentença. De facto, critica-se à esquerda a simples constatação daquilo que articulista designa por “evidente colapso da ordem interna no Iraque, com os desaires americanos, com a falência da estratégia de democratização do Médio Oriente.” Mas todas as circunstâncias invocadas, decorrem do que a realidade quotidiana nos mostra.


Parecem-nos ser absolutamente consensuais, para quem pretenda fazer uma análise séria do problema. Tudo isto, está bem de ver, não é culpa, nem invenção, da dita esquerda. E se aqui há irresponsabilidades é, isso sim, das políticas neo-conservadoras e de direita, da administração norte-americana; dos seus seguidores, que agem ao arrepio de toda a legalidade mostrando o mais profundo desrespeito pelas organizações internacionais e pela opinião dos demais países; mascaram a brutal avidez com que pretendem controlar os recursos energéticos mundiais para o consumo predador da sua economia; falam em democracia, mas sustentam todos os regimes ditatoriais que sirvam os seus interesses; mentem quando referem a ameaça de armas de destruição maciça inexistentes e com isso justificam o embuste da guerra preventiva visando, afinal, um domínio neo-colonial à escala planetária, para satisfazer os seus propósitos imperiais e alimentar o seu insano complexo militar-industrial.


Irresponsabilidade é a manutenção dos focos de tensão e injustiça que geram fenómenos como o do terrorismo, para justificar uma situação de “guerra infinita”. Irresponsabilidade e cobardia, acrescente-se, é governos de nações soberanas se colocarem em posição de completa subserviência perante a hiperpotência americana, na esperança de aceder a algumas benesses ou despojos de guerra. Como se o critério de verdade e legitimidade fosse apanágio exclusivo da administração Bush, qual cartilha fundamentalista a quem todos devem lealdade incondicional. Felizmente não é esse o caso. Norton conclui: “Como se de um jogo de crianças se tratasse, como se o fim último de toda esta tragédia fosse, prosaicamente, o de “ter razão” e como se as suas mais importantes consequências para o mundo fossem as que decorrem dos próximos actos eleitorais cá na paróquia.” Mais uma vez errou o alvo. E, como se viu no caso espanhol, foi o governo conservador de José Maria Aznar que reagiu desta maneira, com as consequências que todos conhecem. Para já não falar da clara ressonância freudiana da política de Bush-filho que, recorrendo a mentiras e subterfúgios, pretendeu justificar uma guerra decidida – como agora se sabe – muito antes do 11 de Setembro, para vingar o desaire de Bush-pai. Parece, aí sim, tratar-se de um trágico “jogo de crianças”, da necessidade de “ter razão” a todo o custo, para evitar a humilhação de perder a face e para ganhar as eleições que se avizinham.


Isto é, infantilidade – para além de espantosa insensatez – em toda a linha. Recorde-se, a propósito, que foi George W. Bush que dividiu, de forma manifestamente simplista e maniqueísta, o mundo entre os bons – os americanos e seus cúmplices – e os maus – de uma forma geral, todos os outros. Afinal, mutatis mutandis, parece mais uma vez confirmar-se que o argumento da autoridade substitui a autoridade dos argumentos. Apesar de querer situar-se numa asséptica equidistância entre os dois opostos do espectro político – qual Benjamin Constant em busca do juste milieu –, o articulista não consegue disfarçar as suas verdadeiras preferências ideológicas. Até porque, como diz Manuel Villaverde Cabral numa análise que faz sobre a evolução política após o 25 de Abril, na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique de Abril, “Como ideologia de substituição, o centrismo dominante é pobre, pois o que não divide também não une.” (p. 3). Acrescentávamos, por isso, uma outra categoria à taxonomia de Pedro Norton: aqueles que, à direita, são os confusionistas. Afinal, trata-se tão-só de baralhar e dar de novo.


Sobre o Alentejo, o prometido será devido.



publicado por albardeiro às 19:31
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