Albardas e Alforges... nunca vi nada assim! Minto... já vi!
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005
Anatematizar esta Política!

O DESASSOMBRAMENTO CONTINUA com a ajuda das leituras da ponte Atlântica, entre outros, de Milton Lahuerta, Marco Aurélio Nogueira, Fernando de La Cuadra, Alessia Ansaloni, Leandro Konder, Guido Liguori, etc.


Atenção: até prova em contrário a candidatura mantém-se de pé! (VER O ÚLTIMO “TEXTO”). No entanto, também me parece oportuno “publicitar” este texto.


O pior pesadelo de um governo (dito) de esquerda é ter problemas com a própria esquerda. Um governo (dito) de esquerda que não consegue manter uma sintonia com os diversos segmentos da esquerda e dá azo a uma contestação social (embora, é certo, um pouco corporativa... mas se os corpos sociais existem!) perde capacidade de acção política e social e pode ficar (irremediavelmente) incapacitado para pôr em prática os seus planos e programas. Passa a ter de dissipar, para além das “energias”, parte do seu tempo em negociações com aqueles que ao menos em tese são seus “afeiçoados”, carne da sua carne, refreando os embates bem mais estratégicos com aliados e adversários. Além do mais, e isto todos nós sabemos, o atrito consigo próprio põe a nu as suas entranhas. Mostra o lado mais ignóbil do jogo, o menos elegante, algo que seguramente contrasta a imagem positiva que a esquerda civilizada justamente se orgulha de carregar e faz absoluta questão de exibir. Mas alguns dirão: “O que é que se espera do PS, enquanto governo! Eles sempre foram isso... uns pasmados. O Poder tolhe-os e encandeia-os. Depois só sai despautério!”


Quando as divergências se acumulam e se explicitam no interior de um movimento, dizemos que uma luta interna se instaurou. Tal fenómeno integra a rotina das organizações políticas e é tanto mais inofensivo quanto mais se mantém próxima de um patamar mínimo, suportável, no qual as diferenças se manifestam no plano dos princípios e das ideias. Ultrapassado esse patamar, a luta interna converte-se numa guerra por posições e pela posse de recursos de poder, na qual princípios e ideias passam a valer pouquíssimo (veja-se o que se está a passar com a “despropositada” candidatura de Soares; nada mais que um marcar de terreno da facção soarista no novo “aparelhismo socrático” do PS. Com o PSD passa-se o mesmo, com agravante dos caciques levarem vantagem sobre os barões!). Mergulha-se numa fase de retaliações e golpes baixos, exclusões e ofensas recíprocas, ameaças e acusações de todos contra todos. Vêm à tona aspectos incómodos e desagradáveis, rememorações de atitudes e posicionamentos passados, facetas ocultas e tropeços, num festival de contradições que turvam e embaçam a fisionomia actual dos protagonistas envolvidos. Amplificados pelos meios de comunicação, pela própria dinâmica do embate e pela rápida socialização das informações, os “dossiês” produzidos pela luta interna fazem com que não se saiba mais quem tem razão, quem exagera e quem falta com a verdade.


Há muitas formas de se viver num clima de luta interna. Pode-se tentar manter uma postura zen e, valendo-se da reiteração de princípios éticos superiores, manter abertas as portas do diálogo e proteger os mais “desalinhados e indefesos”. Pode-se, também, cair para o extremo oposto e maximizar os recursos de poder, apelando-se para a “obrigação” que todo o militante teria de apoiar e defender o governo e o seu candidato “oficial”. É o procedimento seguido tipicamente pelos que compõem a maioria na direcção do partido, ou pelos que falam em nome do governo. Há, ainda, os que procuram fazer com que as ideias resistam e prevaleçam sobre a mediocridade, batendo-se pela discussão doutrinária, pela convocação das melhores tradições teóricas, e assim por diante.


Num certo ponto da luta interna, os protagonistas percebem que a tensão e a divisão podem abespinhar-se no governo e, de algum modo, acelerar o seu desgaste ou levar a uma “crise institucional” (e este é que é, embora não o pareça neste momento, o cerne da questão). Nesse momento, alguém terá de recuar, rever posições, alterar decisões. A maioria que está no poder pode jogar um papel decisivo aqui, especialmente porque tem o “mando” para tanto e porque é “contra ela” que a luta interna se dirige. O seu raio de manobra, porém, costuma ser reduzido, sobretudo quando se vive em contextos de crise ou de governabilidade difícil. Arma-se, então, um dos dois cenários de salvação: preserve-se o líder ou desencante-se um “Messias”. Matemo-nos todos, mas não deixemos que a imagem do “Homem” fique manchada demais, a ponto de inviabilizá-lo como chefe da “Nação” ou de liderança popular.


Noutros tempos foi uma saída inteligente, agora mais do que nunca tem um senão. É que a concentração de energias positivas numa situação deste tipo pode produzir uma hipertrofia da liderança, uma espécie de messianismo inconsciente que não só complicará as relações do governo com as instituições políticas do país, como também ajudará a que se criem ainda mais expectativas na população. Nesse último caso, ter-se-á uma ponte para o cesarismo... nesta matéria, a realidade é mais antiga que a própria ideia - e olhem que eles andam por aí! Já agora deixem que lhes diga, recorrendo ao sempre actual Gramsci que nestas coisas de poder e hegemonia é mais assertivo que Maquiavel ou Montesquieu: é bem verdade que se pode admitir que há um cesarismo progressivo, que actua para emancipar as massas, e um cesarismo regressivo, que se dedica a preservá-las na condição de subalternidade e que acaba por “deixar um deserto atrás de si”. Pode-se sempre lutar para que o primeiro prevaleça e produza todos os seus efeitos positivos. Mas a linha que o separa do cesarismo regressivo é sempre ténue, e a nítida distinção entre um e outro depende de muitas e complexas circunstâncias (materiais, culturais e políticas). A História quando tem “repetições” é sempre sob a forma de farsa. É um risco, portanto, que certamente não vale a pena correr. O que nós precisamos é de políticos e políticas que nos respeitem e não de “nababos” com a sua tralha.


Continuamos em sintonia com o bloguitica.


PODE O JORNAL «PÚBLICO» SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?


Aguardamos "serenamente" os esclarecimentos



publicado por albardeiro às 15:12
link do post | comentar | favorito
|

1 comentário:
De js a 6 de Outubro de 2005 às 15:24
para quê essa pergunta?... a tipa já mostrou que não tinha nenhum saco azul... o que tem é uma ganda lata!...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt e Membro do Movimento PR'ó Coiso em http://mprcoiso.blogs.sapo.pt ( aproposito do bloguitica ...triste fiquei ao verificar que não permite comentários! blogar é comunicar o que pressopõe interlocutores! ...o mesmo que exigimos ao clube de jornalistas!)


Comentar post

pesquisar
 
Julho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

ECONOMIA POLÍTICA

A MENTIRA

ELEIÇÕES

TIROS NO PORTA-AVIÕES

A NOVA ORDEM

INFORMAÇÃO

ERA UMA VEZ

ILUSÃO FATAL

A LIÇÃO

SALVE-SE QUEM PUDER

arquivos

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Janeiro 2016

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Abril 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds